sábado, 28 de janeiro de 2012

Ciclos

quando somos crianças
nada nos preocupa
nem pensamos
apenas brincamos

quando adolecentes
os meninos e as meninas
ocupam nosso pensamento
falamos o que pensamos

quando adultos
a vida real
nos preocupa
pensamos o que falamos

quando mais velhos
refletimos sobre
a beleza da vida e
escrevemos o que pensamos.

misturando todas as idades
e tudo que nos dá prazer
e nos preocupa
temos o escritor poeta

que brinca, fala e escreve
o que pensa
e encanta pessoas em
qualquer época da vida.

Silvana F. Pereira

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bicicleta

para melhorar a forma
que hoje é de bola
sábado resolvi
andar de bicicleta

me aventurei
andar pela cidade
ruas de Porto Alegre
aquelas que já andei

fui ver uma amiga
na volta feliz
vi um grupo de capoeira
no antigo Largo da Epatur

fui olhar para um negão
acabei indo ao chão
e hoje dolorida
estou com um puta dor na mão

e para piorar a situação
sem o negão!


Silvana F. Pereira


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Trabalhar no verão de Porto Alegre

Nunca reclamei
de trabalho
afinal para mim
nunca nada
caiu do céu
mas vamos combinar
38 graus é calor
para vivente
nenhum
sobreviver
os miolos
ficam moles
as mãos
ficam suadas
o teclado
melecado
meu computador
que me perdoe
vou trabalhar
somente
à noite.


Silvana F. Pereira



Ah este calor!

a pessoa
fica assoleada
sua por
todos os poros
fica mole
e molhada
não controla
os fatigados
membros.

o bom seria
estar na rua
tomar umas
e ficar nua

ventilador
não dá conta
de acabar
com o calor
haja frescor
na vestimenta

bom mesmo
era estar na praia
já que não dá
vou praticar
o nadismo.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um pouco de Oscar Wilde....

"Por detrás da Alegria e do Riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do Sofrimento, há sempre Sofrimento. Ao contrário do Prazer, a Dor não tem máscara."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O homem que espero

não sou exigente mas
com o passar dos anos
fui selecionando
alguns predicados
que me encantam
em um homem

ser sensível
inteligente
aprazível
respeitável
capaz de captar
minhas entrelinhas

compreender a política
(não necessariamente gostar)
falar de economia
gostar de futebol
ter hábito de ler
escrever bem

ser bom amante
sem ser promíscuo
gostar de dar risada
escutar música
ter senso de humor
não ser ciumento

enfim gosto de
coisas simples
será que viajei?
não sei, só sei que
com ele sonhei e agora
é o homem que espero.

Silvana F. Pereira

Paisagens

visões do além
pode ser mar,
pode ser montanha
todas nos inspiram
e dependendo
da dosagem
podem trazer
mensagens
de nosso interior
que nos dão
coragem
vantagem
que as imagens
nos trazem.

                 Silvana F. Pereira

                  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A viagem

peguei um trem
entrei ligeiro
tropecei
num passageiro

era um forasteiro
olhei para trás
lá estava ele
olhando sorrateiro

sorri para ele
torci que fosse solteiro
a meu ver
parecia um fazendeiro

puxei conversa
queria um companheiro
pelo traje
era fuzileiro

meu medo era
que fosse um aventureiro
mas abriu a boca:
nada entendi, era estrangeiro!

Roda de Poesia no Teatro Pocket

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bicicleta

                                                                                                          Katy Beveridge


Fazem alguns dias que ensaio
mandar a bicicleta
para o concerto
só ontem consegui
buscá-la da oficina
agora preciso arranjar
coragem para andar
na orla do gasômetro
logo me vi na bicicleta
de Katy Beveridge
ou de Tim Wheatley
Mas a música que embala
este meu passeio
ao ar livre
é a Bicycle Race
do Queen




sábado, 7 de janeiro de 2012

Design em imagens e palavras

Silvana F. Pereira

Fazer um rendering
escutar uma música em uma fita cassete
desenvolver um carro
produzir uma cadeira elegante
criar um sapato de surfista
de neoprene com dedinhos
fazer mesas com pernas
que mais parecem tentáculos
desenvolver uma mesa
com cadeiras embutidas
descascar batatas 
em um estiloso recipiente
são apenas alguns exemplos
de coisas que nós
os designers temos o
prazer de fazer, 
desenvolver ou
apenas apreciar.










sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Hoje te vi

foi estranho rever-te
sentado no bar
no mesmo lugar
que muitas vezes sentamos

foi estranho lembrar
daquele tempo
em que juntos fazíamos
todas as coisas,
inclusive beber

foi estranho rever-te
logo veio a mente
 e lembrei ternamente
o aconteceu entre nós

estranho rever-te
sem o frio na barriga,
o suor nas mãos,
sem as pernas tremerem

acho que me curei
parei de sofrer
virei a página
hoje te vi e nada senti


Silvana F. Pereira

Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!