segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Resiliência

O dinheiro anda escasso
o trabalho desaparecendo
a comida encarecendo
a vida no descompasso

A política um fracasso
a televisão entretendo
a ilusão corroendo
e o que dizer do congresso?

O povo mesmo lasso
sem as forças e mal comendo
aguenta firme vai se mantendo
com a cabeça no alto

....mantém o passo.

Silvana








sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Música

A música está em todo lugar
e desperta a sensibilidade
de pessoas que a tem como
afinidade.


Silvana

Triste Conclusão

Quando os olhos
e o corpo não
ardem de tesão
adianta não
dificilmente chegarás
no coração.

Silvana

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Comunicação

Nem sempre
ter fluência
no falar
significa comunicar

Clareza no explicar
palavras certas
e o olhar
ajudam a simplificar

O que se quer explanar
tem que estar
transparente
e todos enxergar

Parece bobagem
mas transmitir e entender
devem fazer parte
da mesma viagem

E todos deveriam
chegar
na mesma
estação.

Silvana F. Pereira

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amor

Amor, então,
também, acaba?
Não que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega de 
transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sexo em Moscou

Quando comecei a passear meus dedos
Pela sua marighelazinha já ficando molhada
Ela teve medo e recuou na resistência:
– Stálin! Stálin!
Mas depois deu uma olhada
Viu meu sputinik pronto a entrar em órbita
Exclamou feliz da vida:
– Que vara! Que vara!
– Que nikita mais krutschev!
Eu era o sessenta
Ela era lunática rainha lunik 9
Me sentia como se estivesse dando um cheque-mate
No próprio Karpov
E por não ser nem fidel e nem castro
Lambi sua rosa de luxemburgo
E a linda bolchevique geminha tesudinha:
– Ai língua de seda,
Maravilhosa,
Me lenine toda, meu bem
Me lenine toda,
Todinha!
Arranhava minhas costas com suas unhas de mil caranguejos
E sussurrava entre beijos:
– Marx! Marx!
E o colchão de molas rangia:
– Mao tse tung! Mao tse tung!
Me chamou de seu tesão
Maiokovsky do sertão
Engels azul do meio dia
Poeta do real
Sua fantasia
Olhou-me nos olhos e disse:
– Tú és o meu Brejnev!
E ficamos por um tempão
Deitados no colchão de neve
E nos amávamos
Esperando o intervalo
Entre uma e outra greve
Trotsky! Ela tinha uma bezerra gregoriana
Que deixava lamarcas
E quando o êxtase atingiu ao seu máximo górki
Quando estava prestes a acontecer um orgasmo dissidente
Sussurou rangendo os dentes
– Chove dentro de mim,
Chove, chove,
Gorbatchev!

Mano Melo

Dois loucos no bairro

Um passa os dias
chutando postes 
para ver se acendem

o outro as noites
apagando palavras
contra um papel branco

todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também.

Paulo Leminski

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Urbenauta

Andar pela rua
é coisa que me entontece
olho para cada rosto e penso
o que será que lhes acontece?

Andar pela rua
me enternece
ao olhar tanta gente
imagino o que cada
pessoa padece

Andar pela rua
me aflora 
a vontade de provar, 
a sensação de voar

Andar pela rua
de minha cidade
desperta a sensação
deliciosa de olhar

Olhar além
de enxergar
sentir o que trás
aquelas expressões

Olhar além
das marcas
estampada nos
seus rostos

Olhar e entender
o que sentem
as pessoas que, assim como eu,
passeiam pela cidade.

Silvana


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Alunos de Administração (Para meus afilhados)

Eles se encontram
nas salas de aula
nos corredores,
pelas cantinas.

Fazem trabalhos,
fazem leituras
provas e
recuperação.

Ouvem palestras,
assistem filmes
estudos de caso
e discussão.

Na reta final
se descabelam
na confecção
do Plano de Negócios.

Ao terminar o curso
depois de tanta
dedicação
terão uma profissão.

Como foi bom ser aluno
e hoje ser professor
das turmas
de administração.

Silvana



domingo, 24 de maio de 2015


A madrugada chega
fico a escutar
músicas antigas
e a relembrar
tempos contigo.

A madrugada chega
me faz sonhar
cansada estou
devia dormir
mas não consigo.

A madrugada chega
pego sua foto
o seu olhar
a me olhar
ainda persigo.

A madrugada chega
o relógio
me faz lembrar
amanhã cedo tenho
que trabalhar.

Silvana




Madrugada

Na cama
parecia
cansada
coitada

Nos lençóis
bagunçados
suada
estava

Mas ela
sorriso 
no rosto
pensava

Como 
é bom
fazer amor
na madrugada.

Silvana F. Pereira
http://gentedepalavra.com.br/wp-content/uploads/2013/03/Revista-Gente-de-Palavra-33.pdf


domingo, 17 de maio de 2015

Ilhas Canárias


Alguém um dia
me falou com entusiamo
que este lugar
queria conhecer

No mapa fui pesquisar
apaixonei-me logo de cara
e também passei a sonhar
em conhecer o tal lugar.

O sonho de consumo
logo foi crescendo
além de ir até lá
já queria algo mais...

Caminhar na beira da praia
naquelas areias branquinhas
e gastar de tanto olhar
aquele mar de águas azuis.

Ser uma turista
nas ilhas mais lindas do mundo?
Não! De tanto sonhar com o lugar
quero ir e não mais voltar!

Silvana F. Pereira





Outono




Chegou o outono
as folhas de plátano
(minhas preferidas)
caem das árvores
enchendo as ruas
com suas lindas cores

De repente uma menina
sem os dentes da frente,
devia ter uns oito anos,
(Oh! Que saudades que tenho!)
passa rápido na calçada
em sua bicicleta
fazendo-as voar.

Será o amarelar das folhas
o refrescar do verão
ou aquecer do inverno
que torna o outono
tão belo de se
observar?

Silvana F. Pereira



domingo, 22 de março de 2015

Buena Vista Social Club

Chan Chan tocava na vitrola
Muitas coisas aconteceram
Ao som desta música
Encantos e desencantos

Ela lembrava daquela silhueta
A meia luz, dançando
Amor de Loca Juventud
Na porta do seu quarto

Dos gardenias para ti
Ele cantava
Queria mesmo dois gardenais
Depois das brigas

Hoje sonha
Com tempos passados
Quando ouve Omara Portuondo
Cantar Vinte Años atras

Com que tristeza olha
Aquele amor que já não existe
Foi um pedaço da sua alma
Arrancada sem piedade.


Silvana F. Pereira





domingo, 22 de fevereiro de 2015

ANDAR

Andar por aí
Sem tempo de pensar
Sem ter pensamento no andar

Andar por aí
Depois do vendaval
Depois de dançar no carnaval

Andar por aí
Fazendo amigos
Fazendo despertar os sentidos

Andar por aí
Tentando ensinar
Tentando aprender com o caminhar

Andar por aí
E ainda assim
Tentar fazer o certo até o fim.

Silvana

22.02.15

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dia de Sarau

Oh que felicidade
É dia de Sarau
Dia de te encontrar
Dia de me encontrar

Dia de ver os poemas
Dia de ler os amigos
Oh, nos encontramso
Oh, que dia feliz!

Silvana F. Pereira

29.01.15

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Banho de chuva



Na rua ela passeava
Quando a chuva a pegou
Na bolsa o guarda-chuva estava
e ali ele ficou

Coisa boa, ela pensava
tomar chuva no calor
leva tudo de ruim, lava
gotas caiam, subiam vapor

Por baixo da saia
sentia os pingos
que repicavam na calçada
e subiam em suas pernas

Sua alma ficou leve
depois do banho inusitado
Que beleza sentir cair
os pingos em sua pele.

Silvana