quinta-feira, 27 de abril de 2017

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!




quinta-feira, 13 de abril de 2017

O beijo roubado

Imagine ser atacado
por uma gang
a gang do beijo
onde tudo é
friamente calculado
a gang é organizada
eleje os beijáveis e
os surpreende
em todos os lugares
em escolas, repartições públicas
paradas de ônibus, atrás de portas
são vários os tipos de beijo
mas o roubado
sinceramente
de longe é o mais
gostoso.

Tela de Klint.
Silvana F. Pereira

quinta-feira, 9 de março de 2017

Vida sem carinho
é sem graça
Vida sem amor
é uma desgraça
Vida sem você 
não é vida
Me mata.

terça-feira, 7 de março de 2017



Para mim o Temer
é um nada
Sua imagem
é insípida
Suas atitudes 
estúpidas
Por causa da crise
instaurada
Levou meu amor
prá Pasárgada.

Silvana

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Tardiamente

Amar uma pessoa 
A vida toda
Aparentemente
É um privilégio 

Mas quando ela não quer
Contigo tudo compartilhar
Definitivamente
É um azar

A vida segue
Já não é tão comum
Esta pessoa contigo estar
A vida tomou outro rumo

Mas o vínculo
Depois de vinte e tantos anos 
É algo que não acaba
Afinal amor é amor

E quando se pensa 
Que este assunto era morto
A proposta vem como num sonho:
- Devíamos nos casar.

Depois de tanto tempo...

A resposta não podia ser outra
E vem como um alívio:
- Desculpa estou amando
(tardiamente)
Outro alguém.

Silvana

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Poema Chinês onde todos os fonemas são pronunciados "shi".

A História do Sr. Shi que comia Leões

Um pequeno conto, escrito em Chinês Clássico, em que todos os caracteres são pronunciados "Shi", mudando apenas o tom (para quem não sabe chinês: cada ideograma é uma sílaba, cada sílaba é composta de um som inicial, um som final e um TOM = a entonação própria da sílaba. Se pronunciado o tom de maneira errada, não se é compreendido).

《施氏食狮史》
石室诗士施氏,嗜狮,誓食十狮。施氏时时适市视狮。十时,适十狮适市。是时,适施氏适市。氏视是十狮,恃矢势,使是十狮逝世。氏拾是十狮尸,适石室。石室湿,氏使侍拭石室。石室拭,氏始试食是十狮。食时,始识是十狮,实十石狮尸。试释是事。

Transcrição Pinyin:
shi shi shi shi shi shi, shi shi, shi shi shi shi. shi shi shi shi shi shi shi shi. shi shi, shi shi shi shi shi. shi shi shi shi shi, shi shi shi, shi shi shi shi shi shi. shi shi shi shi shi shi, shi shi shi. shi shi shi, shi shi shi shi shi shi, shi shi shi, shi shi shi, shi shi shi shi shi shi. shi shi shi, shi shi shi shi shi shi shi. shi shi, shi shi shi shi shi. shi shi shi shi.

Tradução:
"A História do Sr. Shi que Comia Leões"
Era uma vez, um poeta chamado sr. Shi. Ele apreciava muito comer leões e vivia numa casa de pedra. Ele estava querendo comer dez leões. Sr. Shi visitava o mercado de tempos em tempos. Um dia, às dez horas, dez leões apareceram no mercado. E aconteceu do sr. Shi chegar no mercado naquele mesmo momento. Sr. Shi viu que haviam dez leões, e os matou com flechas. Sr. Shi pegou os cadáveres e levou-os de volta para a casa de pedra. Mas a casa de pedra estava úmida, então o sr. Shi ordenou ao servo que secasse e limpasse a casa. Quando a casa ficou limpa, o sr. Shi começou a comer os dez leões mortos. Mas enquanto ele comia, ele descobriu que os cadáveres dos dez leões mortos que ele tinha trazido de volta eram, na verdade, cadáveres de leões feitos de pedra. Você pode explicar isso?

Um chinês lendo a história:
http://www.youtube.com/watch?v=Ckx8eHeWBn0
Retirado do blog: http://poemaschineses.blogspot.com.br/…/historia-do-sr-shi-….
Postado por 混血子