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Aparição

Em meio
ao trabalho
ao desgosto
a desventura
a falta de grana

Aparece uma luz
para compartilhar
as experiências
os dissabores
os desamores

Aparece
como pintura
como um respingo
de esperança
para alegrar os dias

tão solitários e sem
ilusão.

Silvana

Amor de poeta

nunca se aproxime
de um poeta se não tens
intensões sérias
de amor

amar um poeta
é ser a fonte de inspiração  dos mais belos
escritos de amor

amar um poeta
é aumentar a vibração
de um corpo
movido por amor

amar um poeta
é provocar um furacão
de emoções
sentidos por amor

amar um poeta
é incitar uma sensação
de liberdade
vivida por amor

mas abandonar um poeta
é anunciar sem moderação ao mundo que ele está  sofrendo por amor

Silvana

Tomara

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Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa E que a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de quem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz
E a coisa mais divina Que há no mundo É viver cada segundo Como nunca mais...

Vinicius de Moraes

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria. Pablo Neruda

Revolução

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NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski. Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos, aprendi a ter coragem.
Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na Segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. Os humildes baixam a cerviz; e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos. No silêncio de meu quarto a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã, diante do juiz, talvez meus lábios calem a verdade como um foco de germes capaz de me destruir.
Olho ao redor e o q…

O beijo roubado

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Imagine ser atacado
por uma gang
a gang do beijo
onde tudo é
friamente calculado
a gang é organizada
eleje os beijáveis e
os surpreende
em todos os lugares
em escolas, repartições públicas
paradas de ônibus, atrás de portas
são vários os tipos de beijo
mas o roubado
sinceramente
de longe é o mais
gostoso.

Tela de Klint.
Silvana F. Pereira