sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Caminho


Ela parecia abatida
Sozinha (como sempre)
Voltava para casa
Não sei de onde

No caminho
Escolas de samba
Apresentavam seus porta-bandeiras
Parou para olhar

Sua máquina sem bateria
Não registrou nenhuma imagem
Mas sua retina gravou tudo
Sua memória captou os sorrisos

Voltou a caminhar
Parecia mais longe que de costume
Os bares cheios
Por conta do calor

30º C marcava no termômetro da rua
30 era o dia do mês
30 é a latitude de onde estava
Números, pensou...

A solidão
Companheira de todos os dias
Hoje lhe assombrava
Até chateava

Em alguns trechos
A luz era intensa
Em outros quase escuridão.
Mais risadas pelo caminho.

Finalmente
Chegou em casa
E pensou
Ainda bem que nunca
me abandono.

Sentada no bar

É tão estranho
De repente
Sozinha no bar
O chope esquentando
O cantor cantando Supertramp

Pessoas riem ao fundo
Peço mais um ao garçom
Como alguma coisa
Para não embebedar
(como se isto fosse possível)

Já sou bêbada por natureza
A música me agradou
Recosto na cadeira
Curto o entorno.

Pessoas chegam
Ilusões se vão
Bebo mais um gole
As risadas aumentam

A dúvida paira...
Agora Djavan na boca do cantor
Me sinto no livro de
Graciliano Ramos
Angústia

Não virás, já era sabido.
Mesmo assim
Continuo te esperando.

Silvana

domingo, 18 de novembro de 2012

Uns e Outros



Para uns
momentos
estado de espírito
estado de plenitude
Satisfação
equilíbrio
físico e mental

Para outros
estar com amigos
tomar um chopp
dar risada
passear pela rua
cantar uma música
fazer um poema

Não importa
O indefinido do artigo
Não interessa
A forma da perseguição
de alguma forma
Todos desejam
De coração

A tal felicidade.

Silvana F. Pereira

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Passagem

Aqui estamos
sempre apressados
querendo chegar
não sabemos onde.

Indo pra lá,
voltando pra cá
atropelando os dias
engolindo as horas

Esquecemos o motivo
porque viver
empurramos a vida
para o precipício

Mas o que 
não percebemos
que aqui só fazemos
parte da paisagem

Esta viagem
deveria ser
uma mensagem
aos que desavisados vem
                     
pedindo passagem

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Como eu queria


Como eu queria
Ter tanta inspiração
Capacidade de produzir
Um poema por turno.

Como eu queria
Habilidade de traduzir
Tudo que vi, ouvi e vivi
Neste mundo taciturno.

Como eu queria
Sentar e redigir
Com facilidade
Sobre o planeta  Saturno.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

São Pedro

Sempre gostei de cantar
Mas me falavam:
Que loucura
Vai cantar no São Pedro (o hospício)

Comecei a procurar um coral
Sonho de infância
Mas meus horários
Nunca casavam

Oito anos se passaram
Fui fazer um teste
Coisa mais perto que cheguei
De um coral

Estava feliz e radiante
Só pela oportunidade
de um teste fazer
Quem sabe? Pensei.

Hoje canto em Latim, Italiano,
Inglês e  Alemão
Quem havia de dizer
A cantora de igreja
Cantou no São Pedro (teatro)

Verleih uns Frieden

Verleih uns Frieden gnädiglich, 
Herr Gott, zu unsern Zeiten.
Es ist doch ja 

kein  andrer nicht,
Der für uns könnte streiten,
Denn du, unser Gott, alleine.